Conheça a reforma tributária para médicos

A reforma tributária é um dos temas mais comentados no Brasil nos últimos anos e promete impactar diretamente diversos setores da economia, incluindo a área da saúde. Para médicos e clínicas, compreender essas mudanças é fundamental, já que elas podem alterar a forma de tributação e, consequentemente, a carga de impostos que incide sobre a atividade.
Conheça a reforma tributária para médicos: Foto de um médico em seu escritório fazendo cálculos tributários

A reforma tributária para médicos não é apenas uma mudança de normas — é uma transformação profunda na forma como clínicas, consultórios e profissionais liberais vão pagar impostos nos próximos anos. Para muitos médicos, o tema parece distante, mas a verdade é que as novas regras já estão em implementação e impactam diretamente custos, competitividade, tomada de decisão e planejamento financeiro. Entender essas alterações não é apenas relevante: é estratégico para manter a sustentabilidade do consultório e evitar surpresas com o Fisco.

Ao longo deste conteúdo, você vai entender em detalhes o que muda com a reforma tributária para médicos, como funcionará a transição, quais setores de saúde receberão redução de 60%, o que esperar de CBS e IBS, e — principalmente — o que precisa ser feito ainda em 2025 para não comprometer sua gestão tributária. Se você deseja clareza, previsibilidade e segurança, continue a leitura até o fim.

O que é a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária, aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023, tem como objetivo simplificar o sistema brasileiro, substituindo tributos complexos (PIS/COFINS e ISS) por dois impostos principais sobre consumo: CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). A promessa é reduzir burocracia, unificar regras e melhorar a transparência.

Para os médicos, isso representa uma mudança significativa: o setor de serviços — historicamente mais onerado — passa a ter um regime mais previsível, baseado em créditos e alíquotas uniformes, mas que ainda desperta dúvidas sobre o impacto financeiro real. A LC 214/2025 (Lei Complementar 214 de 2025), os PLPs 68/24 (Projeto de Lei Complementar n° 68, de 2024) e 108/24 (Projeto de Lei Complementar n° 108, de 2024) complementam o as normas e definem como a cobrança será aplicada.

O que muda com a Reforma Tributária para os médicos?

As principais mudanças para médicos, clínicas e laboratórios incluem:

  • Substituição de PIS/COFINS pelo CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), com alíquota-padrão prevista entre 26% e 27%.
  • Substituição de ICMS/ISS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), cobrado no destino (local do paciente).
  • Descontos de 60% para atividades essenciais de saúde pertencentes às listas oficiais.
  • Crédito financeiro amplo, permitindo compensações mais transparentes.
  • Possibilidade de regimes diferenciados para serviços intensivos em mão de obra.
  • Alteração do cálculo do imposto trimestral e das obrigações acessórias ao longo da transição.

Para médicos pessoa física, pouco muda na tributação direta, mas clínicas e grupos empresariais sentirão impacto especialmente no fluxo de caixa e formação de preços.

Pontos-chave que todo médico precisa saber

CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços

A CBS substituirá o PIS/COFINS e terá característica não cumulativa, com direito a créditos amplos. Para clínicas, isso reduz distorções e favorece quem tem cadeia de custos mais complexa, como laboratórios, centros cirúrgicos e hospitais dia.

IBS – Imposto sobre Bens e Serviços

O IBS unifica ICMS e ISS e será cobrado sobre operações com bens e serviços, no destino (local de consumo), com base nas notas fiscais. Isso afeta clínicas que atendem pacientes de outros municípios, exigindo adaptação do sistema fiscal e dos softwares de faturamento.

PLP 68/24 – Sistema geral de IBS/CBS

Regula estrutura, créditos, devoluções e forma de apuração. Afeta diretamente o dia a dia do médico empresarial.

EC 132/2023

A EC 132/2023 é o inicio e abase da reforma, define:

  • Unificação de tributos.
  • Cobrança no destino, sobre operações com bens e serviços, em regime não cumulativo
  • Créditos amplos e transparência.
  • Período longo de transição.

LC 214/2025 e Regimes específicos de saúde

Detalha regras complementares e ajustes operacionais, trazendo mais clareza sobre classificação de serviços médicos e alíquotas futuras

A LC 214/2025 + Anexo III define também regras para setores essenciais, incluindo saúde. Estabelece:

  • Desconto de 60% na alíquota do IBS/CBS para atividades essenciais.
  • Tratamento diferenciado para procedimentos de alta relevância pública.
  • Normas de credenciamento e classificação dos serviços.

Os créditos dentro da reforma tributária

Os créditos, mencionados na PLP 68/2024, se mencionados de forma simplista, são “descontos” relativos.

O crédito tributário funciona como uma compensação: permite que uma empresa abata do imposto que tem a pagar o valor do imposto já pago nas etapas anteriores da cadeia produtiva, como na compra de insumos, bens e serviços.

Na reforma tributária considera-se que os créditos tributários podem ser recuperados, de forma integral, em todas as aquisições relacionadas à atividade econômica da empresa. Como por exemplo: equipamentos, medicamentos, insumos e serviços de terceiros contratados.

Entretanto vale um adendo:

  • Empresas em Lucro Presumido e Lucro Real poderão recuperar os créditos integralmente;
  • Empresas optantes do Simples Nacional gerarão um crédito parcial do valor pago no DAS;
    • Para geração do crédito integral, empresas optantes do Simples necessitam optar pelo recolhimento do IBS/CBS fora do DAS.

Setores de saúde com redução de 60%

Como mencionado anteriormente, serviços essenciais, incluíndo os de saúde podem receber descontos no IBS/CBS. Os serviços que terão redução de 60% incluem:

  • Consultas médicas
  • Serviços de enfermagem
  • Exames laboratoriais
  • Fisioterapia
  • Psicologia
  • Procedimentos ambulatoriais
  • Imagem e diagnóstico

A economia real dependerá da alíquota final: se a CBS+IBS ficar em 27%, a alíquota reduzida ficará em torno de 10,8%.

Na prática, como a reforma tributária vai funcionar para médicos?

Para médicos CLT, pouco muda.

Para médicos pessoa física com RPA, ainda há dependência de ISS municipal.

Para médicos PJ ou proprietários de clínicas, a mudança é profunda:

  • Haverá dois novos tributos (CBS e IBS).
  • Clínicas terão que parametrizar sistemas, revisar notas fiscais e reavaliar formação de preço.
  • Custos com insumos, equipamentos e software gerarão créditos.
  • Despesas sem documentação perderão dedutibilidade.

A tendência é que clínicas organizadas paguem menos; clínicas desorganizadas paguem mais.

Como será a transição para as novas regras?

A transição ocorre entre 2026 e 2033:

  • 2026: início da CBS e IBS com alíquotas testes (CBS a 0,9% e do IBS a 0,1%, compensável para PIS/COFINS)
  • 2027: extinção do PIS/CONFINS, cobrança integral do CBS e redução a zero das alíquotas do IPI (exceto produtos incentivados na ZFM)
  • 2029 a 2032: entrada proporcional do IBS e ICMS/ISS entram na fase de extinção.
  • 2033: CBS e IBS substituem definitivamente todos os tributos anteriores.

Durante esse período, clínicas conviverão com dois sistemas simultâneos, exigindo forte controle contábil.

No que o médico precisa prestar atenção?

Com o novo modelo é necessário se atentar em alguns aspectos.

Empresas que tiverem baixas despesas operacionais gerarão poucos créditos devido à não cumulatividade. Estas empresas não terão créditos para se apropriar e quem presta serviço também não gerará créditos.

Por exemplo, se a sua clínica recebe serviços de um médico específico pontualmente e este não emite nota fiscal a sua empresa deixa de acumular créditos na hora de pagar os próprios impostos.

Agora, se temos um consultório que registra e exige nota fiscal de todas as aquisições e contratações de serviços de terceiros este terá uma redução na própria carga tributária.

Com isto gera-se a necessidade de um maior controle próprio e daqueles ao redor da sua própria empresa.

O que fazer ainda em 2025? (O ponto mais importante deste conteúdo)

Para não sofrer impacto negativo em 2026, médicos devem:

✔ 1. Revisar o regime tributário (Simples, Presumido ou Real)

A escolha errada pode custar dezenas de milhares por ano quando a CBS/IBS entrar.

✔ 2. Organizar centro de custos e mapeamento dos serviços

A reforma exige detalhamento e documentação mais clara das atividades. É necessário definir todas as alíquotas corretamente e o processo de retenção do IBS e CBS.

Por exemplo: esses impostos devem ser declarados na NF de serviço. Como você fará isso? É necessário definir com o seu contador.

✔ 3. Atualizar softwares de gestão e faturamento

Sistemas antigos não serão capazes de emitir notas no novo modelo.

✔ 4. Criar política de crédito fiscal

Clínicas sem organização documental perderão dinheiro.

✔ 5. Revisar contratos com convênios e fornecedores

A nova carga pode exigir renegociações.

✔ 6. Implementar contabilidade consultiva

Profissionais precisarão de acompanhamento contínuo, não apenas cumprimento de obrigações.

✔ 7. E o mais importante

Como as novas regras passarão a valer a partir de 2026, os tributos serão pagos em 2027, referentes ao ano-exercício de 2026. Por isso, é importante a atuação e organização rápida para evitar surpresas lá na frente.

A transição requer um planejamento detalhado para o ano de 2027 pois pode e irá refletir nos planejamentos estratégicos das empresas.

Antes e depois da Reforma Tributária

Tema Antes da Reforma Depois da Reforma
Tributos principais PIS, COFINS, ISS, ICMS CBS e IBS
Cálculo Acumulativo e complexo Crédito amplo e não cumulativo
Setor médico Sem benefícios estruturados Redução de 60% para serviços essenciais
Emissão de notas Municipal/estadual Nacional e padronizada
Previsibilidade Baixa Maior transparência e estabilidade
Impacto para médicos Variável Depende do enquadramento e organização

 

Médicos precisam agir agora — não em 2026

A reforma tributária para médicos representa uma das maiores mudanças estruturais da área da saúde das últimas décadas. Ela trará benefícios para quem estiver preparado, mas criará dificuldades para quem ignorar a transição. Buscar estratégias tributárias, reorganizar processos e antecipar decisões é o caminho mais seguro.

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